quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Chegou dezembro!

 

Eu gosto de dezembros. Talvez porque tenha esse ar de encerramentos, mas com gratidão e com festa, com brilhos e cores. Dezembro para mim é festa, é encerrar ciclos, é se preparar para o recomeço.

E dezembro chegou com suas reflexões, com a vida vivendo! Bem vindo dezembro! 

Chego ao final deste ano consciente das minhas fissuras, mas muito feliz, satisfeita com tudo o que fiz e vivi.

Cultivo também uma pequena felicidade de estar neste momento escrevendo este blog! Um blog tão antigo! mas ele me ajuda a fomentar em mim um desejo secreto: escrever um livro. Sabe essas coisas que a gente acha que é grande demais para você? Pois é para mim é isso, escrever um livro. Mas tenho pensado em deixar legados, e o livro seria esse legado. Ao pensar que esse blog tem tanto tempo, penso que nele já há o conteúdo para um blog...

segunda-feira, 7 de julho de 2025


 Virei totem no shoping Boulevard! A exposição Mulheres Negras em Movimento homenageou 11 mulheres do estado que são referência em suas atividades e eu sou uma delas!

Meu Deus, como assim a filha de Darim barbeiro e d.Zilma, virou totem e sua figura está exposta em um shopin junto com nomes de outras mulheres tão poderosas?

A menina pobre de pés sujos, que passou fome, foi doméstica... e agora está sendo vista e reconhecida como psicóloga de grupos afrocentrados?

É muita alegria! Me faz lembrar do caminho percorrido e de todo o processo de transformar dor em potência!

Ser uma mulher negra foi minha dor mais traumática e inconsciente! Me faz uma jovem tímida, ansiosa, insegura e com muito medo! Medo de ser julgada, de ser vista como feia e burra, já que o sentimento de despertencimento me acompanhava! Vivia pisando em ovos, num estado constante de alerta, logo a ansiedade tomou conta de mim! 

Mas a coragem também sempre me acompanhou! A psicologia me trouxe a consciência da ansiedade, o minfulness controlou o meu sistema de alerta, mas foi o encontro com outras mulheres negras que me trouxe a cura! A minha cor foi se transformando num grande catalisador de outras mulheres e me trouxe pertencimento! Ao me sentir segura eu transmutei dor para cura. E a cura é coletiva. A minha cor que era a minha grande dor se transformou na minha potência!

A minha cor me levou a lugares profundos! Do inferno ao céu, de tristezas a alegrias! Do trauma à cura!

Essa exposição chega como um lembrete de tudo isso!

O sentimento é gratidão!

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Sinto muito, eu sinto!

 Eu sinto. Muito!

Sinto muito, eu sinto!

Por vezes quero não sentir e fico me perguntando: será que não estou exagerando?

Será que preciso sentir tanto assim? Será que como a maioria da população não deveria tomar um remédio para anestesiar o sentir?A vida seria muito mais simples se eu sentisse menos. Evitaria muitos problemas! 

Confesso que como Poliana já fiz o jogo do contente, mas não funciona muito. Pois eu continuo sentindo! E problematizando e questionando e buscando estratégias do que fazer!

E sim eu sinto muito, sinto as ausências, sinto as faltas, sinto as desimportãncias! Então psicologizo: não será a criança ferida gritando aqui dentro? Carente, querendo atenção, querendo colo, querendo afeto? Estou fazendo birra?Tenho em mim um buraco tão grande assim? 

E aí eu sinto, muito! Por ainda ser apenas uma criança sentindo,querendo amor e carinho. Então uma voz sussura. Quase uma epifania de consciência:

Então só as crianças precisam de carinho, de amor e colo? E os adultos, e os idosos? É do humano a busca por carinho e amor!

Eu sou uma mulher adulta, não uma criança e também quero amor, atenção e carinho. Talvez tenha depositado todas as minhas fichas apenas numa pessoa para suprir todas as minhas faltas! Que como todo humano está ciclando! E eu que sinto, fico na falta.


Sinto muito, eu sinto!


terça-feira, 27 de maio de 2025

Sobre a vida e os Recomeços


A vida é esse sopro inquieto que nos atravessa sem pedir licença. Às vezes, suave como brisa, noutras, um vendaval que nos arranca o chão. E é justamente nesses momentos de caos que os pensamentos catastróficos costumam nos visitar — sussurrando medos, gritando inseguranças, pintando futuros sombrios que talvez nunca existam. Mas é preciso lembrar: pensamento não é profecia. Eles vêm e vão, como nuvens passageiras num céu que sempre volta a se abrir.


Recomeçar é uma arte. É coragem disfarçada de simplicidade. É acordar um dia e decidir continuar, mesmo sem ter todas as respostas. Mesmo com o coração ainda em pedaços, mesmo sem garantias. Recomeçar é um gesto de fé — fé na vida, em si, no tempo, no invisível que nos sustenta.


E entre um tropeço e outro, é importante não esquecer dos pequenos prazeres: o cheiro do café fresco, um banho de sol no rosto, uma conversa que aquece, o riso que escapa, o silêncio que acolhe. Eles são âncoras. Nos resgatam do peso do mundo e nos lembram que ainda estamos vivos — e isso, por si só, já é milagre.


Fluir com a vida é aceitar que há ciclos. Que tudo muda. Que o controle é uma ilusão bonita, mas que a entrega é uma força ainda mais potente. Quando confiamos no fluir, descobrimos que a vida tem uma inteligência própria, uma sabedoria que não cabe nas nossas urgências.


Que saibamos, então, respirar fundo nos dias escuros. Recomeçar sempre que necessário. Silenciar os pensamentos que nos afundam. Cultivar fé, mesmo sem certezas. Saborear os pequenos prazeres. E, acima de tudo, deixar a vida fluir — porque ela sabe o caminho.

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