segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ESCRITOS DA ALMA


Este final de semana estive no sítio com minhas irmãs. Foi tudo tão simples e tão intenso, que eu particularmente não tirei fotos, não me lembrei. Mas a minha irmã tirou algumas pelo celular dela.
Fiquei me perguntando porque tudo foi tão intenso? Já disse em outras postagens que somos em 07 irmãs, lá estávamos apenas em 03, mas é claro que as 07 estavam presentes, porque estavam o tempo inteiro em nossas emoções. Nos lembramos de histórias sofridas, de pai, de mãe, de irmãos! Mas lembrar de tudo foi tão curativo! Contamos nossas histórias, relembramos de fatos tristes, mas dessa vez sem dor! Com emoção, mas sem dor! E mais especificamente, sem culpados! Contamos nossas histórias dando para elas outro veredicto, não há culpados, apenas fatos! Se não há culpados, também não há mágoas, as histórias desse final de semana foram como uma bálsamo para minha alma! Sinto que definitivamente estou em paz com a minha história e livre para simplesmente amar! Segue uma dessas histórias:

Nós éramos uma família grande e muito pobre. Morávamos num barraco de madeira. Meu pai era barbeiro e alcóolatra! Por ser alcóolatra passava dias sem trabalhar e caia bêbado na rua. Eram muitas crianças em casa que precisavam ser alimentadas. Muitas vezes passamos FOME! Ainda tenho a sensação da barriga vazia, roncando e da sensação de fraqueza. Em dias de ausência paterna, minha mãe ia trabalhar numa casa na cidade, eles eram donos de padaria e de tardinha ela trazia pão para nos alimentar, ainda me lembro do pão, nós o chamávamos de pão camarão, era o mais gostoso que ela trazia. Mas ela demorava muito para chegar e nós estávamos com fome, quando a espera era insuportável, nós entrávamos debaixo da mesa e gritávamos bem forte: MÃAAAE, CHEGA LOGO! Tínhamos esperança que ela nos ouvia, na verdade acreditávamos nisso! Eram esses chamados que nos fazia aguentar, eram esses chamados que nos acalentava a alma, eram esses chamados que diminuíam a fome!
Hoje não preciso mais chamar minha mãe debaixo da mesa, talvez hoje eu tenha outros chamados! Mas ao relembrar essas histórias, chegamos a seguinte conclusão: SOMOS MILIONÁRIAS!


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Onde é a sua casa?




Sua casa não precisa ter um lugar fixo, ele pode ser móvel. Sua casa é o seu corpo. Sua morada é o seu corpo, é onde você habita.  Como uma casa, seu corpo precisa ser bem cuidada, os móveis precisam ser bem escolhidos, sua casa deve ser um lar de amor.  Sua janela ou porta é a sua mente, é por lá que você permite que as coisas entrem. O que você está permitindo entrar em sua mente? Que móveis? Que objetos? Que pensamentos? Que pessoas? Para que sua casa seja realmente um lar é necessário que haja amor e cuidado. Sua casa é um lar para você? Seu corpo é um lar para você? Você tem cuidado e amado a si mesmo? Você se sente bem na sua própria companhia? Seja um lar para você. Ame-se! Cuide-se!

Esse pensamento de ver a casa como seu próprio corpo foi libertador para mim. Me fez desapegar da casa enquanto um bem material, como se fosse um lugar onde eu tenha que ficar. Se minha casa é o meu corpo, posso estar em qualquer lugar que estou em casa, se eu estiver bem comigo estou em casa. Não há apegos, estar desapegada me traz liberdade! Qualquer lugar que eu esteja é minha casa, desde que eu esteja bem comigo mesma. Esse pensamento é libertador!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

"Somos a concretização dos planos e a finalização de ciclos. Somos a morte de um tempo e a esperança por novos dias. Somos as cadeiras na calçada de nossa infância, chaleira apitando na cozinha, o melado raspado no fundo da panela. Somos o relógio marcando a hora de voltar para casa, o andar descalço na ponta dos pés enquanto todos dormem, a flor roubada amanhecendo no chão do nosso quintal. Somos acorde de violão enchendo o ar de uma noite estrelada e a despedida antes da hora prometida. Somos encontro, certeza, realidade e verdade. Somos lembrança, desistência e recomeço. Somos início, somos fim. Somos, acima de tudo, impermanência."
Fabíola Simões

Notas: Essa foto é do meu filho com algumas flores que no final da tarde caem dos pés. Para mim elas são o retrato vivo da impermanência. Pela manhã, até por volta das duas horas elas estão lindas e vivas, depois caem todas e murcham depois de algumas horas, impermanentes! Devem ser apreciadas por algumas horas, assim como a nossa vida, também impermanente, deve ser apreciada enquanto estamos por aqui.

Gd beijo

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