Concorro com as horas.
Realizo sonhos.
Fabrico gente, reinvento a felicidade.
Traduzo dores.
Faço perguntas, garimpo respostas.
Ouço e traduzo os sinais do meu corpo.
Etiqueto a TPM.
Me reinvento a cada dia.
Para mim é claro: não gosto de lingerie vermelha,nem de futebol, nem de cachorro.
Acho que os gatos nasceram para serem admirados como modelos fotográficos, mas não quero contato físico com eles, amo-os de longe.
Sou como Narciso, gosto do espelho.
Pele cor de ébano.
Olhos de curiosa.
Jeito de quem pretende ser despretensiosa.Sapato de bico fino, salto alto.
Ombros à mostra.
Jeans apertado.
Negra faceira.
Sensualidade genética.
Pulseiras douradas.
Olhos pintados, brilho nos lábios.
Mulher moleca que venera a liberdade, aprisionada pelas paixões.
Meu corpo tem correntes invisíveis que me prendem ao seu corpo.
Meu desejo escorre na sua direção.
Gata manhosa se aninhando no peito amado.
Mas se não encontro reciprocidade, a lágrima teima em descer dos olhos, disfarço, viro as costas, fingindo não se importar.
Mas quando me abraça....aí sou deusa, sou rainha. Sou afeto, sou felicidade, vejo estrelas bailando.
Me submeto.
Meus olhos não tem limite,mas meus braços tem abraço certo: meus filhos.
Minha cabeça gira pelo mundo, mas meus passos tem caminho certo.
Minha casa.
Meu porto seguro.
Eu? Eu sou mulher, esse ser apaixonado, que cresce à revelia da falta!

