As sete mulheres, a de preto sou eu.
A família é o lugar, por excelência, onde todos nós nos constituimos enquanto pessoa, é o lugar onde, a rigor, uma criança fabrica sua história da qual dependerá seu futuro.
E é dessa família, a família primeira, aquela que me constituiu que quero falar hoje. Então senta que lá vem história...
Venho de uma família muito grande. Somos um total de 09 irmãos. Eu estou no meio, tem 04 abaixo de mim e 04 acima. Desses nove, sete são mulheres!
Nessa família se configura o matriarcado, o femino impera. Amo meus 02 irmãos, mas com as minhas irmãs é diferente, existe um laço muito forte entre nós. Passamos por muitas coisas juntas.
Somos 07 irmãs, 07 amigas, 07 mulheres marcadas pela vida. Pelos amores, pelas dores, pelos dissabores!
Juntas sobrevivemos a golpes fatais. A mortes nunca antes imaginadas!
A primeira morte, o primeiro golpe fatal foi a morte da minha mãe, 01 ano depois a morte do meu pai. Ficamos sem chão, achei que não íamos sobreviver. Sobrevivemos.
Demos as mãos para que fosse possível suportar a dor, uma deu força para a outra. Viramos fênix. Renascemos das cinzas.
Naqueles momentos de desespero nunca estivemos tão unidas, nunca entendemos tão profundamente a dor da outra.
Um ano após a morte do meu pai, se foi a minha avó que morava conosco. Três mortes em três anos!
Agora eram apenas nós. As sete irmãs. As sete mulheres que viviam na casa onde a morte cruelmente visitou. Do passado alegre, restou a penas a casa. A casa das sete mulheres.
Mulheres fortes, sensíveis, sobreviventes. Quando estamos juntas é quando estamos inteiras. Uma forte cola nos liga.
Tenho poucas amigas. Minhas amigas verdadeiras são minhas irmãs. Elas me compreendem e me ajudam sem nenhum interesse.
Recebi de uma delas o melhor conselho que já recebi na vida. E acatei.
A palavra irmã me soa de uma forma muito especial. Me lembra apoio e gratidão. Pois de uma outra irmã, recebi a oportunidade que foi fundamental para a minha vida.
Quando terminei a quarta série do ensino fundamental, meu pai decidiu que eu NÃO IA ESTUDAR mais, pois ele não tinha dinheiro para comprar cadernos e lápis.
Minha irmã mais velha não aceitou a decisão e foi taxativa: Ela vai estudar, eu compro os cadernos!(ela trabalhava como doméstica).
OBRIGADA IRMÃ, seu gesto permitiu que eu chegasse até aqui! Você me possibilitou ser o que sou.
Minhas irmãs são meu porto seguro. Ninguém sabe melhor de mim do que elas, elas são meu superego, meu controle. Mas também meu afeto, minha felicidade.
Quando estamos todas juntas o sentimento é indescritível. Talvez a palavra que melhor descreva esse sentimento seja plenitude e completude. Quando estamos juntas me sinto assim: plena, completa.
Somos mais que irmãs, somos companheiras. Quando uma chora, choram as sete. Quando uma ri, riem as sete. Quando uma conquista algo, as sete se sentem vitoriosas.
Na casa das sete mulheres, a sensibilidade teima em nos escorrer pelo rosto, a conversa agradável ou não, vive em volta da mesa, a coragem vive nos rodeando, o orgulho está sempre a nossa espreita.
Mas a superação, esta está sempre em nossa companhia, pois a recebemos de herança!
Gilmara Coutinho Wolkartt