Nesse feriado literalmente fiz as malas e fui para a minha cidadezinha no interior, onde mora a minha família e também onde tenho um sítio.
Foram muitas emoções vividas e provavelmente não consigo falar de todas elas nesse post. Só sei dizer que estar por lá me fez muito bem.
Na sexta-feira da paixão fui numa procissão. É isso mesmo, numa procissão. Fazia muito tempo que não participava de uma. Nas capitais elas não são muito comuns e já não se segue à risca algumas tradições, já no interior elas acontecem com maior freqüência.
Então, de repente, lá estava eu seguindo uma enorme procissão. Eram várias pessoas que estavam alinhadas em quatro filas, muitas delas seguravam uma vela na mão. Saímos da igreja e fomos caminhando pela cidade, em alguns momentos todos paravam e era lido uma passagem bíblica relembrando a crucificação de Cristo, após a reflexão a caminhada prosseguia com todos cantando. A procissão durou em torno de duas horas.
Não senti nenhum constrangimento, não tive nenhuma vergonha de estar ali, pelo contrário senti até um certo orgulho de fazer parte daquela procissão.
Naquele caminho percorrido, percorri também muitos sentimentos dentro de mim. Estar naquela procissão me suscitou a lembrança da minha essência.
Aquela procissão fazia parte do meu inconsciente coletivo, pois participei de muitas delas com a minha avó e também com a minha mãe. Ao caminhar naquelas ruas de bloquete, eu caminhei dentro de mim mesma.
Revi valores, reafirmei crenças. Quem andava naquela procissão era EU, simplesmente eu. Mara, Marinha, filha de D. Zilma e de Darinho barbeiro. Era eu ,sem títulos, sem cargos, sem bens. Tive um insight, ficava claro quem sou, de onde vim, para onde vou.
Aquela era a minha essência. Uma pessoa simples, com princípios morais claros, que ama ao próximo, que quer bem ao outro, que não gosta de desonestidade e luta pela justiça. Uma pessoa que preza a família, que não gosta de traições, e que é fiel a si . Não foi à toa que escolhi uma profissão que me possibilita ajudar ao outro em busca de si mesmo e do seu bem estar.
Essa certeza de ser quem sou, de confirmar os meus valores, me fazia dar passos firmes naquela procissão, me fez sentir orgulho da minha crença, me fez caminhar ao encontro de mim mesma, para que fosse possível chegar até Deus.
Ali, naquela procissão, a RESSURREIÇÃO se fez em mim!
Ainda que no finalzinho do domingo, quero desejar a todos, uma feliz páscoa, no seu verdadeiro sentido.