Quando eu era criança
Existia na minha casa um barranco,
Onde minha mãe plantou várias flores.
Se chamavam 11 horas, as flores da minha infância!
Eram lindas flores pequeninas, dobradas e vermelhas
Não um vermelho qualquer, era um vemelho quase rosa.
Era um rosa quase rubro
Era rubro como alegria!
Quando eu acordava pela manhã
Ansiosa esperava a hora
De abrir as 11 horas!
Pela manhã elas acordavam botões
As 11 horas despertavam flores
Formavam um belo tapete
Mas eram muito mais que um enfeite
As 11 horas da minha infância
Me lembram a felicidade
Daquela feliz idadade!
Onde eu corria livre pelo quintal
Brincava de casinha
Fazia bolo de terra
Colocava flores em vidrinhos de esmalte
Apostava corrida com as nuvens
Se pendurava no varal de roupas
Comia cajá verde com sal
E nada fazia mal.
As 11 horas da minha infância
Me lembra barraco de madeira
Pé de siriguela, batata-doce e cana
Mata, cipó e capoeira
Preto-velho, saci-pererê e mula sem cabeça
Banho de chuva, terra molhada
Cabelo na bananeira
As 11 da minha infância
Alegrava uma mãe com 09 filhos
Que possuía força, orgulho e garra!
Que de tristeza às vezes chorava
Mas todos os dias cantarolava!
As 11 horas da minha infância
Guarda gosto de doce de mamão verde
Moqueca, galinha a molho pardo, polenta
Fogão a lenha
Passeio na roça, pescaria
Banho no rio Santa Maria!
Traz cheiro de avó
Preta velha que tinha lenço na cabeça
Entre seus resmungos me dizia sempre:
Vai ser gente na vida, menina!
Disso nunca se esqueça!
As 11 horas da minha infância
Traz presente um grande quintal
Com pé de abacate, ninho de bem-te-vi e perdiz
Onde existia uma casa de madeira
De uma família grande, pobre e feliz!
Ah!
As 11 horas da minha infância
Me lembra músicas de roda
Pés sujos, bandeirinha e queimada
Me lembra que fui, sou e serei amada!
Gilmara S. Coutinho Wolkartt