Eu sinto. Muito!
Sinto muito, eu sinto!
Por vezes quero não sentir e fico me perguntando: será que não estou exagerando?
Será que preciso sentir tanto assim? Será que como a maioria da população não deveria tomar um remédio para anestesiar o sentir?A vida seria muito mais simples se eu sentisse menos. Evitaria muitos problemas!
Confesso que como Poliana já fiz o jogo do contente, mas não funciona muito. Pois eu continuo sentindo! E problematizando e questionando e buscando estratégias do que fazer!
E sim eu sinto muito, sinto as ausências, sinto as faltas, sinto as desimportãncias! Então psicologizo: não será a criança ferida gritando aqui dentro? Carente, querendo atenção, querendo colo, querendo afeto? Estou fazendo birra?Tenho em mim um buraco tão grande assim?
E aí eu sinto, muito! Por ainda ser apenas uma criança sentindo,querendo amor e carinho. Então uma voz sussura. Quase uma epifania de consciência:
Então só as crianças precisam de carinho, de amor e colo? E os adultos, e os idosos? É do humano a busca por carinho e amor!
Eu sou uma mulher adulta, não uma criança e também quero amor, atenção e carinho. Talvez tenha depositado todas as minhas fichas apenas numa pessoa para suprir todas as minhas faltas! Que como todo humano está ciclando! E eu que sinto, fico na falta.
Sinto muito, eu sinto!






