sábado, 22 de maio de 2010

O caso Araceli

Como já disse em posts anteriores, uma das coisas extremamentes importantes na minha vida é o meu trabalho. Sou psicóloga e atuo numa área que é mais do que um trabalho, é um militância, é uma luta diária: trabalho no atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

 Anjos que são utilizados como objetos de prazer de adultos covardes e inescrupolosos, atos esses que afetam adesenvolvimento psicológico social e comportamental dessas crianças.
Crianças que ficam com traumas muito mais profundas do que traumas psicológicos, ficam com traumas na alma!

O dia 18 de maio é o dia de enfrentamento a violência, abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.
Esse dia foi escolhido devido a morte de Araceli Crespo Sanches, uma menina de 09 anos e idade que foi estuprada, espancada, torturada e morta,  aqui na cidade de Vitória.
O crime é cercado de mistérios, mortes, subornos, mentiras e medos.Causou comoção pública e chocou o país inteiro.

A menina saiu da escola mais cedo naquela sexta-feira. "A garota deveria entregar um envelope a um grupo de rapazes, filhos de famílias ricas e importantes da cidade. O que a menina não sabia era que, no envelope, havia drogas. E ao chegar ao local indicado pela própria mãe, o edifício Apolo, ainda em construção, os rapazes já estariam drogados e atacaram a criança, cometendo os mais diversos tipos de abusos e violências sexuais. Legistas identificaram requintes de crueldade na morte de Araceli. “Os bicos dos peitinhos e a vagina foram lacerados a dentadas. Antes de matá-la, os criminosos morderam a menina toda”, além disso jogaram ácido no seu rosto para não ser reconhecida, relatavam os legistas.


Seis dias depois do massacre da menina, um moleque caçava passarinhos num terreno baldio atrás de onde seria hoje o Hospital Infantil Menino Jesus. Mas o que ele encontrou foi o corpo despido e desfigurado de Araceli. Começou, então, a ser tecida uma rede de cumplicidade e corrupção, que envolveu a polícia e o judiciário e impediu a apuração do crime e o julgamento dos acusados por uma sociedade silenciada pelo medo e oprimida pelo abuso de poder.

Mas quem era os criminosos?
Em Vitória, na Praia do Canto, no Jardim dos Anjos, havia um casarão onde um grupo de filhinhos-de-papai se reunia para promover orgias regadas a LSD, cocaína e álcool. Nas orgias, muitas vítimas eram crianças. Entre os viciados, era conhecida a atração que dois líderes do grupo, Paulo Constanteen Helal, o Paulinho, e Dante de Brito Michelini, o Dantinho, sentiam por menininhas. Os dois estavam no grupo de rapazes que assassinaram Araceli Crespo.
Na cidade, muitas pessoas disseram que a diversão dos jovens Dantinho e Paulinho Helal era rondar os colégios da cidade em busca de possíveis vítimas, apostando na impunidade que o dinheiro dos pais podia comprar. Dante Barros Michelini era rico exportador de café e chegou a ser preso, acusado de tumultuar o inquérito para livrar o filho da prisão. Constanteen Helal, pai de Paulinho, além de rico, proprietário de imóveis, hotéis, fazendas e casas comerciais, era um poderoso membro da maçonaria capixaba.


Dois meses após o aparecimento do corpo, num dia qualquer de julho de 1973, o superintendente de Polícia Civil do Espírito Santo, Gilberto Barros Faria, fez uma revelação bombástica. Ele afirmou que já sabia o nome dos criminosos, e que a população de Vitória ficaria estarrecida quando fossem revelados no dia seguinte.
Porém, sem que explicasse o porquê (na noite anterior, ele tivera um encontro com Dante Michelini), Barros Faria mudou de opinião e, ao invés de estarrecer a população de Vitória, provocou riso e deboche por uma lado, e revolta, por outro. O assassino de Araceli, segundo ele, era um velho negro, demente, que perambulava pela Praia do Suá, perto da escola da menina.

Começava a escalada de suborno, medo e MORTE:

-Homero Dias, sargento da Polícia Militar, lotado no serviço secreto, pagou com a vida as investigações que fez. Confidenciou certa vez: “Já tenho material para incriminar muita gente. Acho que o capitão Araújo já pode interrogar o filho de Constanteen Helal.”



Paulinho Boca Negra, o traficante José Paulo Barbosa, disse:“Quem matou o sargento Homero foi o soldado da PM que estava com ele. Eu vi quando ele atirou.”, morreu com 27 facadas dentro da penitenciária de Vitória.


O Caso Araceli também fez vítimas do lado dos acusados. Uma delas foi o jovem Fortunato Piccin, um viciado que perdia completamente a razão quando se drogava em excesso. Ele foi apontado pelo capitão Manoel Araújo como suspeito do crime e morreu depois de tomar um remédio trocado, na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, da qual Constanteen Helal era provedor. Também há suspeitas de que o próprio Jorge Michelini, tio de Dantinho, tenha sido eliminado por ameaçar contar tudo que sabia. Numa madrugada, o carro que dirigia foi atingido pelo ônibus de uma empresa, cujos veículos só circulavam até meia-noite. Segundo Louzeiro, outros dois assassinados foram um mecânico que prestava serviços para Paulinho Helal e o porteiro do Edifício Apolo.

 Em agosto de 1977, o juiz Hilton Sily ( já falecido ), determinou a prisão de Dante de Brito Michelini e Paulo Constanteen Helal, pelo assassinato de Araceli, e de Dante Barros Michelini, acusado de tumultuar o inquérito para livrar o filho. Em outubro do mesmo ano eles já estavam soltos e o juiz havia sido “promovido” a desembargador. Em 1980, Dantinho e Paulinho foram julgados e condenados, mas a sentença foi anulada. Em novo julgamento, realizado em 1991, os reús foram absolvidos.
Hoje dizem que o crime foi prescrito, outros que foi arquivado por falta de prova, mas o fato  é que os assassinos de Araceli, ficaram impunes, como ainda ficam impunes milhares de abusadores sexuais de crianças e adolescentes  no Brasil.

Fonte:
http: diganaoaerotizacaoinfantil.woordpress.com
http: crimesfamosos.multiply.com

7 comentários:

Nilce disse...

Oi, Gilmara

Infelizmente é assim que a coisa funciona por aqui e não estamos fazendo nada para que a coisa mude.

Esse caso é muito triste e um dos primeiros a serem divulgados sobre abuso sexual em crianças.

Que pena que no Brasil é a lei da "carteirada" que vale.

Bjs no coração!

Nilce

diariodumapsi disse...

Nilce,realmente vivemos em um geração que está em inércia, não se vê mais o povo unido reinvindicando o direito de ninguém...
Beth, agradeço o link, vou dar uma lida sim!

KINHA disse...

Olá amiga

Infelizmente todas as cidades brasileiras tem suas tristes histórias desse tipo de assassinatos não resolvidos.
Adorei sua visita, seu blog e já estou te seguindo.

Bjo

diariodumapsi disse...

Obrigado kinha,
Parece que somos mesmo o país da impunidade!
gd bj

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Veja só...eu não havia nascido ainda quando esse caso aconteceu. Nasci um ano depois. Mas me lembro, qdo era pequeno, de comentarem sobre esse caso. E falavam pra gente ter cuidado, etc.

Lembro que li algumas revistas antigas com o caso. E fiquei horrorizado pelo acontecido, a crueldade.
Um caso como esse jamais deve ser esquecido. Para que nunca mais se repita.

Foi bom vc divulgar.
Bjs

Anonymous disse...

Os acusados pela morte da menina ainda estao vivos?
E onde eles vivem hoje?
Estao casados, ainda sao ricos?
Enfim como saber mais sobre esses criminosos

Anônimo disse...

onde estão os monstros que assassinaram a pobre
da Araceli? Estão andando por aí,numa boa, neste
Brasil Varonil? Olha,nestas horas eu tenho vergonha de ser brasileira, nessa merda desse país.

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