Ontem minha irmã me disse ao telefone:
Fomos ao cemitério limpar túmulo da mamãe.
Naquele momento a luz se apagou.
O vaso quebrou.
Uma folha caiu.
O crucifixo partiu.
As palavras ressoaram na minha alma.
Trouxeram de volta toda a minha orfandade.
Quem sofre não é quem morre.
Quem sofre é quem fica.
Quem fica, fica órfã.
Órfã de mãe. Órfã de colo.
Não a vi no caixão.
Nunca fui a seu túmulo no dia de finados.
Mas sua morte se instalou em mim.
Abalou toda a minha estrutura, meu eu, minha fé.
Briguei com Deus.
No primeiro ano de sua morte,
era impossível falar disso, sem que vinhesse
lágrimas aos olhos.
O tempo passou, a dor também.
Ficou a saudade.
Saudade do seu sorriso.
Saudade de seu doce de mamão feito no fogão lenha.
Saudade da galinha a molho pardo com polenta.
Saudade de sua presença!
Nunca mais os natais foram os mesmos.
Aquele túmulo guarda a minha dor.
Revela a minha finitude.
Mas também revela a minha força.
Depois dessa morte sobrevivo a qualquer coisa.
Descobri que sou como bambu.
Envergo, mas não quebro.
Gilmara Wolkartt





12 comentários:
Oi querida, também sofro dessa mesma saudades, saudades que dói, que fere por dentro, que podem passar os dias, ela não diminui...
Perdi meu pai à um ano, mas a dor é enorme...
Hoje não fui ao cemitério, preferi não estar lá e ver a sua foto...
Força amiga para nós!
Bjinhos
Olá Gil, concordo com vc que a dor é de quem fica...e que vc possa seguir pela vida afora, elaborando sua orfandade, pois sei que vc é mãe e não deixa faltar colo aos seus. bjus querida!
Olá, que bom que a dor se transformou em saudade, mesmo que isso não vá diminuir a falta que vc sente dela... perdi meu pai há 2 anos, mas também nunca voltei no cemitério depois do dia do enterro.... e nem pretendo voltar, prefiro lembrar dele bem!!!
Beijuu
www.sermulhereomaximo.com.br
Desta vez Gilmara...perdoa...não tenho palavras...só lágrimas...
Beijos
ainda tenho minha mãe Gilmara, mas te confesso que ainda, depois de quase 27 anos sofro demais pela perda do meu pai.
Ele era meu companheiro, amigo, estava todo dia comigo. Não gosto de lembrar da minha dor. somente dos momentos de alegria e de tudo o que ele fez por mim.
Não tenho medo de cemitério. Vou lá sem problemas. Mas não num dia como o de hoje. Prefiro ir só.
Sinto muito por sua mãe.
Bjs no coração!
Nilce
A dor lhe fez também forte Gilmara. És como o bambu e jamais lhe quebrará. Que bela postagem, repleta de sentimentos, de lembranças e de coragem. Parabéns!! As nossas orações são também por sua mãezinha querida. Um grande beijo no seu coração :)
Oi Gilmara, a emoção tomou conta de mim ao ler esse texto.
Realmente é só ao passarmos pela pior das dores que descobrimos nossa verdadeira força.
Grande beijo querida
...ela só mudou de andar, e portanto
segue pertinho te espreitando de
leve.
sabe das tuas dores, saudades,
e vontades, pois somos espelhos,
tanto aqui como acolá.
lindo post!
linda vc!
bjbjb
Boa noite Gil,
Tenho meus pais ainda, mas consegui me emocionar. Aliás, eu adoro a maneira como você se expressa, a forma como põe sentimentos em suas palavras, li e chorei ao sentir sua dor...parabéns!!!!
Beijos,
Cê
Doeu meu coração ao ler suas palavras, Gilmaras. Tenho meus pais, mas só de pensar em perdê-los, já dói tanto. Meu marido diz para eu me preparar antes, pq a lei da vida é esta, ainda que rasgue nosso coração. Mas prefiro não pensar. Vou confessar: nos momentos mais doces em família sempre lembro que tudo aquilo é passageiro, então curto muito.
Caramba Giilmara, chorei ao ler isso!!! Que lindo e que triste ao mesmo tempo... Foi uma des daclaracoes de amor mais profundas que ja li!!!
Nao tenho essa dor (ainda) Mas de pensar ja me sinto estranha. Sinto muito pela tua falta, mas de certa forma vc se descobriu mais forte...
A minha mae sempre fala pra mim, nunca esquecemos um grande amor ( e pode-se aplicar aki) apenas conseguimos pensar nele sem chorar!!!
Amei teu blog, to te seguindo aqui e se vc puder me visite tb! Me siga, pra nao nos perdermos de vista!!!!
www.vidacomplicadademais.blogspot.com
Boa noite amiga!!!eu amei!!!seu blog...é amiga dessa dor eu tb.carrego em meu peito...não pelos meus pais...pq.graças a deus!!eu aindo os tenhho comigo...mais faz um ano que meu marido partiu para outro plano...e a dor ainda me consome dia a dia...mais temos que seguir em frente...pq.a vida continua...ela não para...tenho certeza que iremos suportar ela...boa sorte á vc.e toda sua família...serei sua seguidora...beijos queridaaa!!
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Beijos floridos na sua alma
Gilmara