terça-feira, 17 de abril de 2012

Pasárgada

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Mais uma semana se inicia com suas urgências. Vivemos num corre-corre danado, o dia passa voando com seus excessos de afazeres. Ao final dele fica o stress de um dia trabalhado, o cansaço do corpo e o stress da mente.

Em dias assim, quando me assento, recai sobre mim, o meu mais secreto desejo: Quero ir embora para Pasárgada!

Lá eu serei amiga do rei,  pararei o tempo, em Pasárgada darei os beijos que desejo e receberei os carinhos que tenho direito, darei longos abraços e testemunharei o amanhecer. Em Pasárgada não terá relógios, nem patrão, nem o barulho da modernidade!

Em Pasárgada serei despertada pelo canto dos pássaros na minha janela, e sentirei o beijo do sol na minha face.

Plantarei flores e as colherei todas as manhãs para enfeitar a mesa, lá  farei longas caminhadas no fim da tarde e apreciarei o pôr do sol. Em Pasárgada  contarei estrelas no céu iluminada pela luz dos pirilampos e transformarei tudo em poesia ao anoitecer.

Está decidido, vou-me embora pra Pasárgada!

( Gilmara Wolkartt)

 

Segue o famoso poema de Manuel Bandeira, fonte de inspiração para os escritos de hoje:

 

Vou-me Embora pra Pasárgada

                               Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

4 comentários:

Valéria disse...

Oi Gil!
Lindo, sonho de todos nós.rsss
Adoro este poema!
Beijinhos e boa tarde!

Casa das Bonecas de Pano de Ipiabas disse...

Olá querida que lindooooooooooooo, amei bjs com carinho Leila

Eloah disse...

Lindo! Acrescento " Vou-me embora prá Pasárgada vou morar no infinito, vou virar constelação.
Bjs no coração Eloah

Elvira Carvalho disse...

Eu também quero ir.
Não conhecia o poema.
Um abraço

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Beijos floridos na sua alma
Gilmara

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