Mais uma semana se inicia com suas urgências. Vivemos num corre-corre danado, o dia passa voando com seus excessos de afazeres. Ao final dele fica o stress de um dia trabalhado, o cansaço do corpo e o stress da mente.
Em dias assim, quando me assento, recai sobre mim, o meu mais secreto desejo: Quero ir embora para Pasárgada!
Lá eu serei amiga do rei, pararei o tempo, em Pasárgada darei os beijos que desejo e receberei os carinhos que tenho direito, darei longos abraços e testemunharei o amanhecer. Em Pasárgada não terá relógios, nem patrão, nem o barulho da modernidade!
Em Pasárgada serei despertada pelo canto dos pássaros na minha janela, e sentirei o beijo do sol na minha face.
Plantarei flores e as colherei todas as manhãs para enfeitar a mesa, lá farei longas caminhadas no fim da tarde e apreciarei o pôr do sol. Em Pasárgada contarei estrelas no céu iluminada pela luz dos pirilampos e transformarei tudo em poesia ao anoitecer.
Está decidido, vou-me embora pra Pasárgada!
( Gilmara Wolkartt)
Segue o famoso poema de Manuel Bandeira, fonte de inspiração para os escritos de hoje:
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolhereiVou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tiveE como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra PasárgadaEm Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorarE quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

4 comentários:
Oi Gil!
Lindo, sonho de todos nós.rsss
Adoro este poema!
Beijinhos e boa tarde!
Olá querida que lindooooooooooooo, amei bjs com carinho Leila
Lindo! Acrescento " Vou-me embora prá Pasárgada vou morar no infinito, vou virar constelação.
Bjs no coração Eloah
Eu também quero ir.
Não conhecia o poema.
Um abraço
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Beijos floridos na sua alma
Gilmara