Sou Gilmara. Fiz 40 anos. Virei Gilmara Wolkartt quando me casei. Tenho dois filhos. Sou mãe de Serena e Cauã. Meu pai era barbeiro. Minha mãe dona-de-casa. Às vezes ela trabalhava como doméstica. Fui criada com vestido de chita, calcinha de algodão, pés sujos, barraco de madeira, pirão de feijão de vó Mandina, barranco gramado com flores onze horas, praia de areia grossa, pôr-do-sol, peixe de rio, batata doce, quintal sem muro, mata aberta, fogão a lenha, água escorrendo no quintal, abacate com açucar, siriguela verde, pai bêbado, mãe asmática, casa cheia, parapedo de plástico. Tenho 08 irmãos. Só descobri que meu nome era Gilmara aos 07 anos, quando entrei na escola. Pensava que me chamava Jumara, como me chamava minha vó. Meu nome era para rimar com o nome da minha irmã, Jussara. Meus irmãos e os mais íntimos me chamam de Mara. Dentro de mim vive Jumara, mas ela é tão frágil, que coloco Gilmara em ação. Acho que só agora consegui o equilíbrio entre as duas. 40 primaveras depois!
2 comentários:
Que lindo te ler e saber da tua vida que teve tantas coisas e entre elas, coisas boas, simples que te fizeram crescer bem. Que bom que encontraste o equilíbrio agora! beijos, adorei te ler! chica
Olá, querida Mara
O nosso 'eu real' sempre aparece, mais cedo ou mais tarde...
Muitas coisas eu também vivi, mas o meu quintal tinha muro... rs...
Talvez por isso sua soltura ser tão gritante...
Bjm fraterno
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Beijos floridos na sua alma
Gilmara