quarta-feira, 30 de março de 2011

Cansaço

Estou cansada. Muito cansada. Sinto-me carregando o mundo nas  costas. Sinto-me expectadora de um espetáculo cruel onde os mais vulneráveis são metralhados. Hitler ainda vive. O holocausto ainda existe. Condena milhares de crianças à morte, deixa-os à sua própria sorte. Deixa-os à sua própria morte.
Hoje a impotência acampou no meu ombro.
Fecho os olhos. Tudo o que eu queria era me transportar. Ir para uma outra dimensão. Ir para a dimensão dos meus sonhos. Esquecer as injustiças sociais, esquecer as desigualdades, esquecer os desiguais.

* Aos que passarem por aqui e me lerem, me dê um desconto, perdoem-me as palavras desconexas e nada leves, trabalho com situações muito difíceis e tem dias que elas se tornam insuportáveis. Hoje é um desses dias.

terça-feira, 29 de março de 2011

Aviso da lua que menstrua

 
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita.. .
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Autora: Elisa Lucinda*
* Elisa Lucinda é aqui da terrinha, nosso orgulho capixaba. Achei esses versos perfeitos e bem conveniente para esse mês da mulher. Gd beijo

domingo, 27 de março de 2011

Do que sou(com mais detalhe)

Eu sou verão, sou praia, sou sol de manhãzinha, sou vento nos cabelos, sou brisa da manhã. Sou verde, mas também sou azul, sou água, sou areia, sou brinco de argola, sou pulseira com balangandãs, sou shoping, sou salada de frutas, sou lasanha, sou doce de banana, sou açucar, sou bala de leite.

Sou céu estrelado, sou lua cheia, sou o ritmo das marés.  Sou Martha Medeiros, sou Carpinejar, sou Clarice Lispector, sou Adélia Prado, sou Érico Veríssimo, sou Viviane Mosé, sou Eliza Lucinda, sou Frank Santos.Sou poesia, sou conto, sou ritmo, sou música, sou dança, sou sertaneja, sou pagode, sou mpb, sou Lulu Santos, Marisa Monte, Caetano  e Gil.

Sou Glória Maria, sou pe Fábio de Mello, Taís Araújo e Marília Gabriela. Sou Freud, Nietche, sou Fritz Perls. Sou ordem, sou detalhe. Sou tô nem aí, sou esmalte anti-alérgico, sou roxo, sou lilás, sou francesinha.

Sou sessão da tarde, sou cinema, sou pipoca. Sou jeans e blusa branca, sou cabelo afro, sou salto alto, sou rímel,  sou delineador de olhos. Sou ousadia, sou café da manhã, sou cabeça que não pára de pensar, sou guaraná, sou intestino preso, sou miopia.

Sou estrada, sou viagem, sou montanha, sou Domingos Martins, sou Coqueiral, sou Barra do Sahy, sou direção defensiva, sou onda do mar, sou mato verde, sou céu azul, sou árvore frutífera, sou barulho de cachoeira.

Sou mansidão, sou silêncio, sou indecisão, sou indiferença, sou garota que sonha acordada, sou beijo, sou abraço, sou sexo.

Sou mãe de Cauã e de Serena. Sou tranquilidade, sou obscenidade, sou internet, sou blog, sou diario de uma psi, sou tv, sou rádio, sou revista. Sou trabalho manual, sou feriado, preguiça, sou deixa rolar, sou cada sabe onde lhe dói o sapato .

Sou fortaleza, sou escuta, sou observação, sou sensibilidade, sou água, sou lágrima nos ollhos, sou paz, sou fé, sou solidão, sou emoção a flor da pele, sou intensidade, sou discrição, sou afeto.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Racismo

Estou há algum tempo ensaiando para falar desse assunto bem espinhento.

Estou adiando, adiando, mas esta semana fui no blog fiodeariadne e ela fazia um chamado para a blogagem coletiva Infância sem Racismo proposto pelo blog Desabafo de mãe . A blogagem é baseado na campanha do Unicef com o mesmo tema.

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Eu já havia visto o vídeo do UNICEF,  infância sem racismo, na semana anterior  . Naquele período me senti provocada, por esse motivo segui o link do yotube e fui ler os comentários do vídeo, fiquei horrorizada com os comentários que li! Alguns comentários eram bem contrutivos e reflexivos, mas muitos tinham um conteúdo preconceituoso e pejorativo. A net revela facilmente a hipocrisia de muitos brasileiros. O brasileiro é racista sim! E da pior forma possível, pois é um racismo encoberto, ou de culpabilização do próprio negro.

Por isso fiquei receosa em falar sobre o assunto, pois estou totalmente implicada com ele. Ainda que pisando em ovos, me espelhei na coragem do blog Desabafo de mãe e  resolvi falar sobre o assunto:

Eu e o preconceito.

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Minha mãe era negra, minha bisavó materna veio da África quando era criança. Meu pai era branco de olhos verdes. Nasci negra, apesar de na minha certidão de nascimento estar escrito que sou parda, aliás tenho uma implicância com isso! E parda é cor de gente? Tenho irmãos brancos, negros e marrons, mas a maior parte está registrado como pardos. Eu de antemão deixo bem claro. Sou negra.

E ser negra nesse país é uma desvantagem. Sinto na pele o preconceito desde pequena. Vivemos em uma cultura em que ser negro é sinônimo de ser feio. Isso afeta diretamente a autoestima de muitos dos nossos brasileiros negros.

O nosso cabelo é alvo de muitas piadas e as crianças aprendem logo cedo que o cabelo deve ser domado, pois tem cabelo “ruim”, o que também quer dizer feio.

Me lembro que quando criança, a nossa brincadeira predileta era colocar um pano na cabeça e virá-la de um lado para o outro, fingindo que o cabelo era longo e liso. Passávamos a tarde toda desfilando para lá e para cá com aquele pano na cabeça.

Um outro fato sobre o preconceito que vivi e que muito me marcou, foi quando era mais jovem e fui procurar emprego numa empresa de assepsia telefônica.

Quando cheguei na recepção para preencher um cadastro, a moça me olhou e sabe o que ela falou? Pasmem. Ela disse que eu não podia preencher a ficha, porque para ocupar a vaga, a pessoa tinha que ter cabelo “bom”. Acreditam numa coisa dessa? Fiquei passada! E o pior de tudo, não tive ação. Virei as costas e vim embora. Isso aconteceu em 1993 e eu ainda não tinha consciência dos meus direitos. Se isso acontecesse hoje, eu iria exigir retratação pública e idenização moral.

Durante muito tempo tive cabelos lisos e usei chapinha. Mas, com a maturidade, ando mais abusada e segura de mim mesma. Hoje meu cabelo é minha bandeira de luta. Quando alguém comenta do meu cabelo( que diga-se de passagem está lindo, cheio de cachinhos), dizendo, ainda que de brincadeira, que meu cabelo é ruim, reajo logo. Meu cabelo na verdade é muito bom! Posso usá-lo da forma que eu quero, liso ou cacheado e além disso é super prático, é só molhar e passar creme que o cabelo está prontinho! Cabelo bom é o meu! O resto é bobagem.

Na vida adulta também sofri preconceito. Foi quando conheci meu marido. Pois é, ele é branco. A família dele não me aceitou logo de cara, devido a cor da minha pele.

Certa vez, estávamos chegando juntos na casa dos pais dele, quando sem querer ouvi o pai dele dizendo: – “Não quero saber dessa “nega” enfiada aqui em casa”. Vocês já sentiram uma facada no peito? Eu senti. E foi nesse dia. Aquelas palavras ressoaram em mim como um punhal grosso e gelado adentrando meu coração. Dei meia volta na mesma hora. Nunca mais fui á casa deles. A situação só se reverteu quando já estávamos noivos e a mãe dele ofereceu a mim um almoço e um pedido formal de desculpas. ( O pior é que hoje eles vivem dependendo da nossa ajuda financeira, kkkkkk!).

Estou falando para vocês da minha experiência com o racismo para que possamos encarar esse assunto de frente e deixar claro que não existe democracia racial no Brasil. Eu literalmente senti isso na “pele”.

O racismo no Brasil existe e é cultural, os 350 anos de escravismo deixaram marcas, mas as marcas não são o pigmento da pele, mas uma forma de pensar de menos valia do negro que se reflete nos dias de hoje e perpassa todas as camadas da população. Esse racismo silencioso, que se diz com o olhar, com a forma de se dirigir a quem tem a pele negra, essa coisa velada, esse “racismo cordial”.

Assim como Martin Luther King, eu também tenho um sonho. Sonho com o dia em que nesse pedaço de chão que se chama Brasil, nenhuma pessoa seja julgada devido a cor de sua pele, tenho esperança de que meus filhos não tenham que se esforçar mais que os outros para conquistar seu espaço nesse mundo, sonho com um país onde não haja diferença de raça ou de cor, onde todos irmanamente possamos fazer um colorido país de uma nação de todas as cores que se chama Brasil.

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Acesse o blog Desabafo de mãe e participe você também dessa campanha!

terça-feira, 22 de março de 2011

Do que quero ser

 
Ser a melhor pessoa é uma ofensa para mim, desejo ser a pessoa predileta, a pessoa necessária.

sábado, 19 de março de 2011

Alma vazia

Tem dias que temos a alma vazia.
Nem alegre, nem triste.
Nem feliz, nem eufórica.
Simplesmente vazia.
Sem energia.
Sem pulsão de vida,
Nem pulsão de morte.
Sem conexão
com a vida.
Com a alma embaçada.
Com comportamento
autista.
Vazia.
Simplesmente vazia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Da omissão

 

anjo

Mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer. “

 Albert Einstein

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